Há amores que chegam
entram devagar na casa da alma
como quem traz abrigo
como quem conhece o nome secreto
de todas as nossas feridas
E nós acreditamos
ah, como acreditamos
porque a ilusão
quando se veste de amor verdadeiro
não parece mentira
mas sim, a mais pura realidade
Ela aprende os nossos silêncios
decora os nossos vazios
acende pequenas lanternas
nos corredores escuros do peito
E então caminhamos
descalços, entregues
convencidos de que, finalmente
a felicidade deixou de ser horizonte
para ser uma morada
E um dia
sem aviso
o amor que jurava salvar-nos
transforma-se na pedra
amarrada aos tornozelos da esperança
Tudo começa a ruir devagar
os sonhos primeiro
depois a confiança
depois aquela luz tranquila
que tínhamos no olhar
A felicidade torna-se estrada interrompida
uma ponte suspensa sobre o vazio
e nós, no meio dela
tentando entender
em que instante o paraíso
aprendeu a ferir
Talvez o pior da ilusão
não seja a mentira
talvez seja o facto
de ela usar exatamente o rosto
daquilo que mais desejávamos encontrar
Porque o coração, esse teimoso
mesmo devastado
nunca deixa completamente
de acreditar na manhã seguinte
E talvez seja aí
entre os destroços do engano
que a verdadeira felicidade recomece
não como sonho perfeito
mas como alguém que aprendeu
a sobreviver à tempestade
sem deixar morrer a ternura.
Mário Margaride
14-05-2026

Magnífico poema!. Es muy realista y bello.
ResponderExcluirMe encantó leerlo.
Feliz domingo.
Un abrazo.
Maravilhoso poema. Obrigada pela partilha!
ResponderExcluir-
Na linha do tempo... .
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Beijos. Bom Domingo e uma ótima semana!