domingo, 16 de agosto de 2026

ILUSÕES DE AMOR

 

Há amores que chegam

entram devagar na casa da alma

como quem traz abrigo

como quem conhece o nome secreto

de todas as nossas feridas

 

E nós acreditamos

ah, como acreditamos

porque a ilusão

quando se veste de amor verdadeiro

não parece mentira

mas sim, a mais pura realidade

 

Ela aprende os nossos silêncios

decora os nossos vazios

acende pequenas lanternas

nos corredores escuros do peito

 

E então caminhamos

descalços, entregues

convencidos de que, finalmente

a felicidade deixou de ser horizonte

para ser uma morada

 

E um dia

sem aviso

o amor que jurava salvar-nos

transforma-se na pedra

amarrada aos tornozelos da esperança

 

Tudo começa a ruir devagar

os sonhos primeiro

depois a confiança

depois aquela luz tranquila

que tínhamos no olhar

 

A felicidade torna-se estrada interrompida

uma ponte suspensa sobre o vazio

e nós, no meio dela

tentando entender

em que instante o paraíso

aprendeu a ferir

 

Talvez o pior da ilusão

não seja a mentira

talvez seja o facto

de ela usar exatamente o rosto

daquilo que mais desejávamos encontrar

 

Porque o coração, esse teimoso

mesmo devastado

nunca deixa completamente

de acreditar na manhã seguinte

 

E talvez seja aí

entre os destroços do engano

que a verdadeira felicidade recomece

não como sonho perfeito

mas como alguém que aprendeu

a sobreviver à tempestade

sem deixar morrer a ternura.

 

Mário Margaride

14-05-2026


2 comentários:

  1. Magnífico poema!. Es muy realista y bello.
    Me encantó leerlo.
    Feliz domingo.
    Un abrazo.

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  2. Maravilhoso poema. Obrigada pela partilha!
    -
    Na linha do tempo... .
    -
    Beijos. Bom Domingo e uma ótima semana!

    ResponderExcluir

ILUSÕES DE AMOR

  Há amores que chegam entram devagar na casa da alma como quem traz abrigo como quem conhece o nome secreto de todas as nossas feridas   E ...