segunda-feira, 2 de março de 2026

A MENTIRA TEM JANELAS ABERTAS


Havia nos seus abraços um atraso

um quase nada ausente no calor

seu beijo já não vinha com ardor

trazia o gosto amargo do descaso

 

Seu riso era ensaiado vago, raso

seu toque, um gesto frio, sem fervor

falava “para sempre” sem pudor

mas “sempre” já morria no seu prazo

 

Descobrimos na dobra muda do seu olhar

um nome escondido, calado

vivendo entre silêncios por contar

 

E foi no seu silêncio mascarado

que vemos o nosso futuro desabar

não pela ausência

mas pelo tudo que já era errado.

 

Mário Margaride

25-02-2026

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