O amor chegou descalço
coração aberto
trazendo promessas no olhar
e futuro no bolso
Mas a desconfiança veio
mesmo sem ser convidada
segurou a outra mão
com dedos frios e atentos
O amor dizia, fica
a desconfiança perguntava
por quanto tempo?
Entre beijos havia silêncio
entre promessas, ressalvas
cada gesto era prova
cada ausência, um abismo
Ainda assim, caminham juntos
porque quem ama já se feriu
e quem desconfia
um dia acreditou demais
São duas sombras no mesmo corpo
duas vozes no mesmo peito
uma quer se entregar
a outra só quer sobreviver
E seguem de mãos dadas
não por equilíbrio
mas porque amar, às vezes
é confiar mesmo com medo.
Mário Margaride

Nenhum comentário:
Postar um comentário