sexta-feira, 15 de maio de 2026

CORAÇÃO INTERMITENTE

  

O amor chega

como chuva breve de verão

molha a pele

perfuma a terra

e parte antes que o coração

aprenda a respirar sem medo

 

Ama-se em intervalos

Num dia, entrega-se o universo

em gestos pequenos

um olhar demorado

uma mão que fica

um silêncio confortável

 

No outro

erguem-se muralhas repentinas

portas cerradas

distâncias inventadas

para proteger cicatrizes antigas

que ainda sabem sangrar

 

É apenas um coração

que já caiu vezes suficientes

para aprender

que até a ternura

pode ter espinhos

 

E talvez o amor verdadeiro

não seja aquele que exige certezas

mas o que permanece

mesmo diante das hesitações

paciente como o mar

que insiste em tocar a areia

mesmo sabendo

que ela recua.

 

Mário Margaride

13-05-2026


Um comentário:

  1. O amor verdadeiro é sim, aquele que permanece sem hesitações.
    Maravilhoso poema!
    Beijinhos e bom fim de semana

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