Havia nos seus abraços um atraso
um quase nada ausente no calor
seu beijo já não vinha com ardor
trazia o gosto amargo do descaso
Seu riso era ensaiado vago, raso
seu toque, um gesto frio, sem fervor
falava “para sempre” sem pudor
mas “sempre” já morria no seu prazo
Descobrimos na dobra muda do seu olhar
um nome escondido, calado
vivendo entre silêncios por contar
E foi no seu silêncio mascarado
que vemos o nosso futuro desabar
não pela ausência
mas pelo tudo que já era errado.
Mário Margaride
25-02-2026
